Versatile Blogger Award

O Crónicas de Utopia é um projeto que tem incidido, sobretudo, em três frentes: poesia (de autoria própria), História e viagens. Para os seguidores mais atentos, facilmente perceberão que os conteúdos produzidos com maior assiduidade são mesmo poemas. Gosto de pensar que este é um espaço onde cresci imenso em apenas um ano. Mas gosto ainda mais de pensar que este é um projeto que quero levar comigo para o meu futuro. Apesar de ter umas quantas ideias sobre o rumo que gostaria de dar ao blogue, a verdade é que o seu crescimento tem vindo a ser feito de forma gradual. Faltam dar muitos passos. Mesmo assim, qual não foi o meu espanto quando a autora do blogue “Viajar pela História“, Catarina Leonardo, me contactou e nomeou para o prémio Versatile Blogger Award. Na qualidade de leitora frequente, não poderia ter ficado mais satisfeita.

Aceitar esta distinção implica nomear outro blogger (já aí iremos), mas também revelar sete factos sobre mim. Ora, vamos lá então começar e esperar que esta breve lista não se torne demasiado aborrecida. Espero também que continuem desse lado e a acompanhar o trabalho desenvolvido pelo Crónicas de Utopia. Não se inibam de partilhar, comentar e enviar o vosso feedback (positivo ou negativo, desde que seja construtivo). A ideia é continuar a escrever sem parar, contudo sabe melhor quando chegamos a muita gente, não é?! Introduções à parte, passemos ao que nos traz aqui.

1. Jornalismo, uma paixão antiga

Sempre gostei muito de escrever. Sempre me imaginei como uma autora de imensos livros. Sempre quis fazer vida a escrever. Com este fervilhar, decidi apostar numa formação Superior em Jornalismo. Tudo correu bem e acabei mesmo por trabalhar na área, no jornal A Bola, um sonho feito realidade. Fiz-me jornalista, mas as agruras e inconveniências da vida afastaram-me, pelo menos para já, desse caminho. Posso não voltar a cem por cento para a profissão (do jeito que as coisas estão não há margem para grandes utopias, facto que contraria o nome do próprio blogue), mas continuo a ter o Jornalismo como uma paixão. Uma paixão antiga, porém uma paixão para toda a vida!

2. História, a outra senhora do meu coração

Dizem que há pessoas que têm dificuldade em saber o que realmente gostam. Pelo contrário, eu posso dizer que o meu maior problema sempre foi gostar em demasia de duas áreas distintas: Jornalismo e História. Por mais que tenha sonhado tornar-me jornalista, na verdade não foi uma ambição exclusiva. A História ocupa um lugar muito importante nos meus interesses e conhecimentos desde cedo. Recordo-me de ainda estar no Ensino Primário e decorar vezes sem conta as dinastias da monarquia portuguesa. Pedia ao meu avô para me levar ao maior número possível de mosteiros, castelos e aldeias. Partilho este amor em comum com ele, por isso fomos até Arouca, Alcobaça, Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, e outras tantas paragens. Não me posso queixar. No entanto, quando me candidatei ao Ensino Superior deixei História de lado, achava eu que Jornalismo e Comunicação me dariam melhores possibilidades no mercado de trabalho (que inocente era!). Talvez, num futuro qualquer, numa dimensão que não a nossa, consiga fazer Jornalismo e História em simultâneo. Afinal, sonhar não paga imposto, como se costuma dizer.

3. Poesia, o amor mais recente

A par do Jornalismo e História, eis que cresceu em mim recentemente mais um novo amor: a poesia. Surgiu súbita e inesperadamente, em jeito de terapia para males profundos. E não é que está mesmo a ajudar? De terapia passou para rotina. Tento ler diversos poemas e autores. Tento aprender com a sabedoria da arte dos maiores. Mas tento ainda com mais força descobrir a minha ‘voz’ na poesia. Por isso, não estranhem se lerem poemas com assuntos vastos e até estilos distintos no meu blogue. Estou numa fase embrionária, nesta longa descoberta que se avizinha. Imaginem só que até ganhei uma nova ambição: quero muito lançar um livro de poesia de autoria própria. Que acham? Uma vez mais, sonhar não custa, mas melhor que tudo é concretizar!

4. Espanha, Espanha e Espanha

Quem me conhece sabe que sou uma eterna apaixonada pelo país de ‘nuestros hermanos‘. Quando tenho oportunidade tento dar uma escapadela aqui ao lado, fosse a conta do banco mais dilatada e, por certo, iria ainda mais vezes. Gosto das suas paisagens, do idioma, da cultura e das suas gentes. É como se me sentisse em casa, é mesmo como se me sentisse em casa.

5. Música para os meus ouvidos

Antes de apostar única e exclusivamente no Crónicas de Utopia, estive ligada a diversos projetos de foro musical. Tive, inclusive, um blogue chamado “Hours of Music“, onde publicava artigos, reportagens e entrevistas. Desenvolvi essa atividade durante alguns anos e foi algo que me deu um imenso prazer. Não é que tenha deixado de gostar de música de igual forma, mas senti que estava na hora de desbravar novos horizontes e aqui estou eu. 

6. Conhecer o mundo

Quero conhecer o mundo! Desculpem-me o cliché, mas não deixa de ser menos verdade por isso. Como mencionei anteriormente, Espanha é por inerência o meu destino de eleição, mas auspicio conhecer mais, mais e mais. Sabem o que era inacreditável? Era começar a escrever para uma magazine de viagens! Quem não gostava de ser pago para escrever, viajar e conhecer mais da História de outros povos? Eu adorava, por isso cá estou a ‘oferecer-me’, qualquer coisa podem enviar-me um e-mail, por norma respondo rápido! 

7. Já vos disse que adoro escrever?

Escrever, escrever e escrever, já vos disse que adoro escrever? Sei que sim, mas para terminar, volto a repetir-me: adoro escrever!

Mas chega de falar de mim, chegou a hora de nomear outro blogger. A minha escolha vai para o “All We Need Is Noise“, da autoria do João Pardal. Através das suas crónicas, entrevistas e reportagens, o João dá a conhecer, sob uma perspetiva muito sua, o mundo da música rock (e afins) a todos os leitores. Este antropólogo e agora jornalista, merece a vossa atenção. Visitem o blogue e viajem agora (de outra maneira,) até às paisagens de possibilidades vastas da música!

Cegueira da frustração

A infame cegueira da frustração
Dissipa o autêntico da paisagem
Consome a sensata voz da razão
Deturpa o sabor da mensagem

Esperamos entre a neblina
Avistar o farol que ilumine,
Que ilumine a pária da rotina
E leve ao porto que redime

A doença da multidão vaza
O sentir do vazio extravasa
Espalha o inócuo da falácia

Cega-nos a frustração,
Semente errante do logro da solidão
Há que fechar os olhos para ver.

 

Vontade de escrever

Hoje quero escrever
Amanhã quero escrever
Dia após dia, só quero escrever

Podia aproveitar os tempos livres
Seguir a moda da dieta e do correr
Mas padeço da moléstia do escrever

Vontade impulsiva e persistente
Sei que estou doente,
Porém, dispenso qualquer cura.

Deixai-me com este meu sofrer,
Quando apenas quero escrever!

Luz inebriável

Terra árida, negra, despida
Doce habitat de corvos e abutres
Pousio infértil para cultivo
Magoam-te por mais que lutes

Semeia como o vento a mudança
Planta frutos e espalha o verde,
O verde da eterna esperança
Do amanhã que vai renascer!

Poeta sem saber

Poeta é aquele que sem querer
Pára, escuta e olha o mundo
Sente dor até quando não está a sofrer
Escreve cada verso como um moribundo

Poeta é aquele que o é sem saber
Devora linhas, páginas e cadernos
Extravasa ideias certas de um padecer
Materializadas em rimas de tons fraternos

Derrama lágrimas em papel
Esboça palavras repletas de nada
Um sentido escondido e atenuado
Por este que é um poeta dissimulado!

Desnorteios do tempo

Desnorteios perdidos nos tempos
Calvários lacrimejados de tensão
Desvios e tristes contratempos
Negrume e presságio de solidão

Tormenta lançada ferozmente ao rio
Afogamo-nos em entorpecimentos
Aura desconecta d’Eu sombrio
Sepultura coberta em mil lamentos

Tentamos e falhamos sucessivamente
Num complexo universo traiçoeiro
Sombras de um mundo alcoviteiro

Cemitério poeirento e abandonado
Desnorteios de perpetuidade
Cova funda calejada pela saudade.

Trebilhadouro: O doce renascer de uma aldeia d’outrora

Situada nos socalcos da Serra da Freita, a 625 metros de altitude, a aldeia do Trebilhadouro é conhecida pelos valecambrenses e habitantes dos concelhos vizinhos. Hoje em dia, no entanto, quase podemos afirmar que o seu nome chegou a praticamente todos os cantos de Portugal. Há uns tempos atrás tal constatação poderia soar a exagero, contudo poucos se atreverão a contrariar aquilo que é, de facto, uma realidade.

Em diferentes órgãos de comunicação social têm-se multiplicado os artigos que relatam a beleza e pureza deste recanto valecambrense. Abandonada pelo último morador quando o novo milénio era ainda uma miragem, a aldeia renasceu das cinzas da solidão, ao abraçar um presente, com um futuro repleto dum frenesim de forasteiros. Encontram o Trebilhadouro vindos dos mais variados destinos, por vezes até do estrangeiro. O projeto de requalificação – distinguido em 2015 pelo Instituto de Habitação e de Reabilitação Urbana – foi um sucesso e os resultados estão à vista.

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Com diversas opções para alojamento, as quais são exploradas por mais que uma entidade ou indivíduo, criaram-se as condições para que o Trebilhadouro emergisse nos mais afamados roteiros de Turismo Rural. As casas revestidas a pedras graníticas retratam o pulsar doutros tempos, quando o ritmar do quotidiano era marcado pela labuta agrícola em vez de estar refém das notificações das redes sociais nos smartphones. As eiras e os canastros recordam desfolhadas e vindimas passadas, ocasiões em que os aldeões tocavam e trabalhavam ao som das típicas concertinas.

Em cada caminho percorrido é evidente a raça de um povo que durante séculos se dedicou à arte do cultivo, ao sabor simples da vida do campo, longe da azáfama das urbes. Nesta aldeia, antes esquecida, as memórias antigas permanecem vivas. Os costumes daqueles que lá moraram são, inclusive, anualmente celebrados no Festival de Tradições do Trebilhadouro. No passado mês de março, e com as portas das casas abertas para os curiosos e interessados, a aldeia encheu-se de cor, música e alegria.

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Ao entrar nas habitações é visível a preocupação em preservar a identidade dum passado humilde, mas digno de ser continuadamente celebrado. O design de interiores foi, assim, concebido em articulação com os traços d’outrora e os d’agora: predominam as camas de ferro, as toalhas em renda, os adornos floridos e as madeiras afastadas do espírito contemporâneo dos móveis do IKEA. Em alguns casos, é possível desfrutar dum relaxante banho de piscina. Imagine-se no verão, tendo apenas a natureza para companhia e uma vista que peca apenas pelas marcas crassas da fúria das chamas, sem que tenha perdido, mesmo assim, um sopro de serenidade.

Inserida na rede de Aldeias de Portugal, a povoação do Trebilhadouro reconstruiu-se verdadeiramente, pedra sob pedra, merecendo um claro lugar de destaque no imaginário nacional. No Trebilhadouro recuperou-se o sabor da vida e o calor da atividade humana;muitos desejarão envolver-se entre a doçura da natureza e as águas do mar a perder de vista. Perdeu-se uma aldeia para habitar mas ganhou-se, inegavelmente, um sítio para admirar.

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